Por vezes,
na penumbra do nosso quarto,
iluminado pelo tênue facho de luz
que ultrapassa nossa janela,
fico a comtemplar teu formoso rosto.
Seu sono é profundo,
e como acontece sempre,
no meio da noite,
tua angelical face
adquire um semblante bizarro.
Tua pele aveludada
assume uma palidez cadavérica,
teus olhos, ainda que fechados,
são circundados por profundas olheiras.
Teu rosto, antes delicado e dócil,
Agora tem uma expressão macabra,
soturna e assustadora.
E como acontece sempre,
no meio da noite,
ilumidado pelos ínfimos facho de luz,
eu percebo que no íntimo
da mulher que eu amo,
existe uma criatura dissimulada,
devastadora e cruel,
apenas esperando o momento certo,
para emergir.

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