Filosofia do Existencialismo / por Sid Fontoura

 



Esta linha de pensamento filosófico prega que não há origem, que todas as pessoas são livres para fazer suas próprias escolhas e lidar com as consequências, positivas ou negativas, das mesmas.

O conjunto de teorias formuladas no século XX, com forte influência do pensamento de Kierkegaard 1813-1855, se caracterizam pela inclusão da realidade concreta do indivíduo (sua mundanidade, angústia, morte etc.). No centro da especulação filosófica, em polêmica com doutrinas racionalistas que dissolvem a subjetividade individual em sistemas conceituais abstratos e universalistas.

existencialismo popularizou-se após a Segunda Grande Guerra. É no contexto de uma Paris destruída que essa corrente de pensamento foi associada ao nome de Jean-Paul Sartre. Trata-se de um equívoco, entretanto, assumir que esse pensador é o inaugurador desse novo olhar sobre o mundo e o ser humano.

A fonte de inspiração da existência como problema filosófico encontra-se em Martin Heidegger, que, por sua vez, foi influenciado por Friedrich Nietzsche e Søren Kierkegaard. Embora esses pensadores tenham elaborado explicações distintas, suas reflexões iniciaram-se baseadas no ser humano em sua concretude.

Maurice Merleau-Ponty, por exemplo, enfatizou a centralidade do corpo em Fenomenologia da percepção (1945), sendo sua ausência inconcebível. Nessa obra, as questões foram pensadas com base na vida em seus aspectos concretos, e temas como a angústia, a responsabilidade e a liberdade começaram a ser enfatizados.

Características do existencialismo:

A base da proposta existencialista é analisar o ser humano em seu todo e não dividido em aspectos internos (sua mente, cognição e sentimentos) e externos (seu corpo, comportamento e ações). Embora tenhamos semelhanças com outros seres e alguns objetos, a consciência que temos das nossas ações e do mundo ao nosso redor é peculiar.

Não poderíamos, assim, tentar entender o ser humano do mesmo modo que compreendemos os demais seres e objetos do mundo. A existência não é algo que se possa meramente classificar ou mensurar, pois é um desdobramento ou acontecimento que não se deixa compreender a não ser sendo um indivíduo.

Encontramo-nos em uma situação na qual o que somos não está predeterminado, mas é antes resultado das nossas ações. Coloca-se em questão, assim, o propósito do ser humano em um mundo que não é como deseja ou tenha escolhido.

Essa situação, que consiste geralmente na percepção de uma limitação, é o que gera o sentimento de ansiedade. As ações passam a ser entendidas como resultados unicamente de escolhas e não como reações ou reflexos das situações nas quais alguém se encontra.

autenticidade é uma noção que encontra reflexos e semelhanças em todos os pensadores da linha existencialista. Ser autêntico seria não se deixar meramente submeter aos valores de uma sociedade e assumir um lugar na dinâmica social. O cotidiano pode ser uma fuga da nossa responsabilidade ao fazermos apenas o que é esperado de nós ou o que nos é solicitado, sem refletirmos seriamente sobre a própria existência.

Longe de recair em libertinagem ou individualismo, autenticidade trata-se da percepção de que o que somos é constantemente modificado pelas nossas escolhas e de que o modo como vivemos é um compromisso assumido diariamente.

Entre os filósofos mais proeminentes do existencialismo estão Jean-Paul Sartre, Søren Kierkegaard, Friedrich Nietzsche, Martin Heidegger e Gabriel Marcel. Cada um contribuiu com perspectivas distintas, mas todos compartilhavam o interesse pelo ser humano e pelas questões existenciais.

Kierkegaard é visto como um precursor do existencialismo, trazendo uma abordagem cristã. Nietzsche trouxe ideias sobre o niilismo e a superação dos valores tradicionais, enquanto Heidegger explorou o ser como “Dasein”, a existência autêntica. Sartre, por sua vez, destacou-se pelo enfoque ateísta, e Marcel pelo existencialismo cristão, com uma forte inclinação espiritual."
















Comentários